Filosofia e Teologia
Eudaimonia e virtude: uma resposta aristotélica à crise contemporânea da felicidade.
Otávio Domingues Pereira Amorim
Orientação: Anatoli Konstantin Gradiski
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Resumo
Este trabalho investiga a crise contemporânea do conceito de felicidade a partir da ética de Aristóteles, especialmente da "Ética a Nicômaco". Parte-se da compreensão de que toda ação humana tende a algum bem e de que a felicidade, eudaimonia, constitui o Bem Supremo, escolhido por si mesmo. Analisa-se, então, como a desordem na hierarquia dos bens leva o homem a tomar prazer, riqueza, honra e desempenho como fins absolutos, afastando-se de uma vida orientada pela razão e pela excelência. Em diálogo com autores como Zygmunt Bauman e Byung-Chul Han, o estudo identifica na sociedade atual sintomas dessa perda de finalidade, marcada pela liquidez, pela busca imediata de prazer e pela produtividade excessiva. Por fim, propõe-se retomar a ética das virtudes aristotélicas, compreendidas como disposições formadas pelo hábito, pela escolha racional e pela formação do caráter, como caminho para reordenar a vida humana em direção à verdadeira felicidade.